terça-feira, 7 de dezembro de 2010

(minha) trajetória




Nessas pintas me perco,
faço linhas,
sigo as retas.
E o percurso sem tempo
afinal.
Esse desejo só aumenta

Me entrelaço no seu corpo
e deslizo sobre as curvas e setas,
sem direção exata.

Tenho silêncios e vozes
na memória.
Melodia de chuva,
Relâmpagos e trovões
tocando como uma serenata,

de repente, gotas de chuva pela janela
molhando e acalmando
nossos corpos, enquanto vinha
O amanhecer. 

(para meu peixinho)

sábado, 27 de novembro de 2010

outras



Essa parte invertida do meu
eu
refletida na sombra
de tantas imagens
labirínticas

Essa fala presa
não vigora
engolida pelo desespero

sou eu
e parece outra
fantasiando seres
múltiplos

estou distorcida
da pose
do desejo
do aqui.

sábado, 23 de outubro de 2010

sal-doce

Eu rio...
Eu sorrio
e só rio
no meu sorriso
só-riso

mas o que prefiro
são águas salgadas
de minhas lágrimas
do imenso mar que há
em mim. 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

"Reflexões de Um Liquidificador"



Depois de assistir ao filme "Reflexões de Um Liquidificador" precisei me apossar do título do mesmo para escrever este fragmento. Vale a pena assistir. Fica a dica. 


A coisa objeto
animado,
inanimado,
ligado.

Pensamentos Triturados,
sentimentos cortados.
Homem máquina
máquina homem

o homem que usa a máquina
para triturar o que come.
O pensamento fica,
a fome some
quando as ideias param
retorna a fome

Se ligam a máquina
a morte consome
pobre máquina inútil
o bicho homem,

ou será o liquidificador?

domingo, 30 de maio de 2010

afins


Da primeira vez que morri
foi suicídio.
Daí pra frente,
nunca mais tentei
morrer,

mas o outro
sempre assassina
o que há de melhor
e pior
em mim.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

All - devourer


que podes contra este (eu) ?
vezes inóspito
outrora efêmero.
Este incansável não ser
incompreendido,
não atinge, mas o deseja ser.
floresce quando ainda está adormecido

que desejas encontrar neste (eu) ?
cansado do personagem
figurante
encenando roteiros obscuros
no palco cheio de sombras
de seres vazios,
sentindo-se um pequeno vagalume
apitando sua lanterna traseira.

que pensas deste (eu)?
que rasteja sob sua mediocridade
e suporta o peso discrepante
entre dois abismos;
a criança que nunca foi
e o adulto que não bateu à porta


este (eu) alimenta-se da metamorfose
assombrosa e perplexa do vir a ser
caminhando pelas linhas diformes,
assimétricas da dúvida,
neste paraíso encontrado
onde o que predomina é a questão.
onde o ser
e o não ser
foram, ambos, devorados.


domingo, 11 de abril de 2010

Esconderijo da imagem



Este espelho inteiro
oval
reflete a imagem inteira
do que prefiro esconder

aprisiona o que não permito
e aprensenta um ser que não reside lá
está apenas de passagem

esse reflexo idoso,
cansado
está a procura de fuga
sente-se aprisionado
pelo tempo.

Este espelho
ainda inteiro
para libertar sua imagem
precisa se doar ao chão
e tornar-se estilhaços.